Bodega Filgueira: O dia que eu descobri que o vinho uruguaio é bom SIM!
- Wine´n Food - Raffael Figlarz
- 29 de nov. de 2017
- 4 min de leitura

Admito! Eu tinha um preconceito enorme com relação aos vinhos uruguaios. Tive péssimas experiências com os rótulos daquele país e na minha memória ficou apenas o preconceito com relação aos vinhos de lá e um trauma gigantesco com relação à Tannat.

Fui convidado pelo pessoal da Bodega Filgueira para o evento de apresentação de seus rótulos aqui em Curitiba e no momento que provei os seus vinhos o meu conceito em relação aos vinhos uruguaios mudou da água para o vinho, ou melhor,do vinho para O VINHO. O evento contou com a presença do Sr.André Peixoto (Gerente de Vendas Paraná), Sr.Fabricio Sucupira (Importador) e do Consul do Uruguai em Curitiba, Sr.José Remedi. Para harmonizar com com os vinhos foi servida uma bela mesa de queijos e embutidos e o chivito, tradicional sanduíche uruguaio.
A Bodega Filgueira fica em Canelones,está entre as maiores bodegas daquele país e tem a sua história iniciada em 1927 pelo seu fundador, Miguel Filgueira.
Sua área de plantio é de 35 hectares e capacidade de produção de até 700 toneladas de uvas por ano, no entanto,só produz vinhos de alta gama,ou seja,apenas 200 toneladas/ano ou em torno de 120 mil litros desse néctar que tanto amamos. Em sua elaboração são usados apenas frutos de plantio próprio, o que favorece ainda mais na qualidade do produto final.
O local onde os vinhos são produzidos fica estrategicamente localizado no meio das plantações, desta forma, os frutos são transportados por um curto trajeto o que favorece na manutenção da qualidade de seus frutos que acabam ficando menos "machucados" durante o transporte.
A Filgueira foi comprada por uma família brasileira e a partir disto modernizou a sua produção, adotou novas técnicas, foi a primeira vinícola por lá a receber a certificação ISO 9001/2000 e em 2016 recebeu o prêmio de melhor vinho uruguaio, com 95 pontos, pelo guia Descorchados com o vinho Famiglia Necchini Blend (60% Tannat, 20% Cabernet Franc e 15% Cabernet Sauvignon)
Mais adiante vou falar sobre os rótulos degustados mas antes quero falar um pouquinho sobre o Uruguai.
Assim como algumas das melhores regiões vinicultoras do mundo, o Uruguai está localizado no paralelo 35°,e da mesma forma que os seus vizinhos, Argentina e Chile, o Uruguai é um país com um incrível potencial para a produção de vinhos. A região possui grande intensidade de sol, no entanto, o clima é um pouco mais frio e com influência marítima (banhado pelo Oceano Atlântico e com forte influência dos ventos frios e correntes marítimas vindos da Antártida) do que os seus vizinhos.

Da mesma forma de outras regiões famosas pela produção de vinhos, o Uruguai também tem a sua uva emblemática, a Tannat (44% das uvas plantadas por lá). O seu nome vem da palavra tanino e não é por menos, a Tannat é a uva com maior concentração de todas as uvas. Ela é originária da França (ohhh que surpresa) e foi levada para lá por imigrantes espanhóis no século XIX. A Tannat uruguiaia apresenta características diferentes das Tannat "original",os vinhos produzidos com ela apresentam mais fruta, são mais concentrados e macios.
As principais regiões produtoras de vinhos do Uruguai são: Canelones ( 70% da produção do país fica lá) ,Florida,San José, Colonia, Artigas,Riviera e Maldonado.

Vinhos Degustados:
Sauvignon Gris Reserva 2016
Cepas: 100% Sauvignon Gris
Método de produção: tanques de aço inoxidável e vinimatic
Teor Alcoólico: 14%
Notas de degustação:
Visual: Amarelo palha
Olfato: Frutas tropicais, abacaxi e grapefruit
Paladar: Maçã verde e banana.

Merlot clásico 2015
Cepas: 100% Merlot
Método de produção: colheita manual e seletiva com maceração pré e pós fermentação que dura 3 dias e tanque de açõ inox.
Teor Alcoólico: 12%
Notas de degustação:
Visual: Rubi
Olfato: Frutas negras
Paladar: Frutas negras maduras principalmente amora.

Proprium Tannat 2011 - 91 pontos Guia Descorchados
Cepas: 100% Tannat
Método de produção: colheita manual e seletiva com maceração pré e pós fermentação que dura 3 dias e tanque de açõ inox e 6 meses em barricas de carvalho francês e americano.
Teor Alcoólico: 13,5%
Notas de degustação:
Visual: Rubi Escuro
Olfato: Frutas negras, cereja e amora.
Paladar: Frutas negras, taninos e acidez equilibrados.

Reserva Cabernet Sauvignon 2012
Cepas: 100% Cabernet Sauvignon
Método de produção: colheita manual e seletiva com maceração pré e pós fermentação que dura 3 dias e tanque de aço inox e 18 meses em barricas de carvalho francês e americano.
Teor Alcoólico: 12,5%
Notas de degustação:
Visual: Vermelho intenso
Olfato: Pimentão verde e baunilha
Paladar: Intenso, frutado e com taninos equilibrados

Reserva Tannat 2012 - 90 pontos Guia Descorchados
Cepas: 100% Tannat
Método de produção: colheita manual e seletiva com maceração pré e pós fermentação que dura 3 dias e tanque de aço inox e 18 meses em barricas de carvalho francês e americano.
Teor Alcoólico: 12,5%
Notas de degustação:
Visual: Vermelho intenso
Olfato: Pimentão verde e baunilha
Paladar: Intenso, frutado e com taninos equilibrados

Giuseppe di Lombardia 2011 - 92 pontos guia Descorchados
Cepas: 100% Tannat
Método de produção: colheita manual e seletiva com maceração pré e pós fermentação que dura 3 dias e tanque de aço inox e 24 meses em barricas de carvalho francês e americano.
Teor Alcoólico: 13%
Notas de degustação:
Visual: Rubi intenso
Olfato: Cereja
Paladar: frutas negras, groselha, taninos aveludados.

Famiglia Necchini 2011 - 95 pontos guia descorchados
Cepas: 60% Tannat, 25% Cabernet Franc e 15% Cabernet Sauvignon
Método de produção: colheita manual e seletiva com maceração pré e pós fermentação que dura 3 dias e tanque de aço inox e 24 meses em barricas de carvalho francês e americano.
Teor Alcoólico: 13%
Notas de degustação:
Visual: Rubi intenso
Olfato: Frutas negras e baunilha
Paladar: frutas negras e taninos aveludados.
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